September 15, 2006

“O Portugal que sai da crise”

Posted in imprensa, política nacional, sociedade at 2:02 pm by Ana

Na Visão desta semana o que mais gostei de ler foi o artigo sobre o software livre e um outro, tema de capa, sobre empreendedorismo e inovação. Gostei de ler este último justamente por dar uma ideia diferente e mais animadora da economia e das pessoas por detrás dela. Gostei de ler histórias de pessoas que deram a volta por cima, que inovaram, que perseveraram, que arriscaram, e que agora vêem o seu trabalho dar frutos. É em histórias destas que me inspiro e que me apoio quando as coisas parecem mais negras.

Acredito firmemente que a iniciativa privada e as empresas são um veículo privilegiado de mudança de mentalidades e paradigmas, de inovação, de trabalho social e comunitário. É tempo de acabar com esta cultura de mama do Estado e de dormir à sombra dele (a bananeira). Leva a que só nos queixemos de tudo e fiquemos à espera que alguém faça alguma coisa. Mas o pior é que (quase) ninguém faz nada… de jeito, pelo menos. 😛

Neste país em que os governos só se governam a si próprios, são as empresas que devem liderar o caminho, e levar a sociedade a reboque. Ou isso ou é melhor emigrarmos todos porque os políticos não têm estofo para salvar este país.

September 11, 2006

Lisboa e as bicicletas

Posted in eventos & Cia, featured on Flickr!, mobilidade, política nacional, sociedade, videos at 9:50 pm by Ana

Ontem lá fomos à Lisboa Bike Tour

À espera na ponte

Não posso dizer que tenha gostado muito. Achei fraco, mal organizado, desinteressante, e sem o ambiente de celebração que se esperava. Não sei o que terá pensado a maioria dos participantes, mas o entusiasmo que a iniciativa despertou foi imenso, as 4000 inscrições esgotaram em 9 dias e o meu post neste blog teve imensos hits (695 só desde o dia 4 de Setembro).
À noite vi a peça da RTP sobre o evento (eles disponibilizam os videos dos telejornais, mas há umas semanas mudaram o sistema e agora aquilo não funciona em Linux; bimbos do caraças…), mas o que se mostrou não traduz o que aconteceu para todos os participantes. Só o pessoal perto da linha de partida é que teve direito a música, animação, e sinal de partida, bem como “recepção” à chegada.

As bicicletas estavam mal montadas (as minhas, como muitas outras que vi, tinham as mudanças mal montadas, fazendo com que eu não visse nada quando as utilizava. Houve um senhor ao pé de nós a que caiu um pedal; teve sorte não ser num momento em que ele se estivesse a apoiar bem nele, podia ter-se magoado… Já para não falar na pintura riscada e nas mossas. Fartámo-nos de ver pessoal apeado com avarias ou defeitos nas bicicletas. Outros nem tiveram direito a uma (quando estávamos à espera da cena começar passaram grupos de pessoas a pé que tinham sido largadas pelos autocarros mais tarde e mais atrás na ponte e que já não encontraram bicicletas, tendo que ir andando pela ponte à procura de mais, “Lisboa Foot Tour”…). Não gosto daquele sistema de mudanças e tive dificuldades a usá-las, mas o que me lixou mais foi o selim, que era péssimo e tornou o “passeio” muito desconfortável…

Ao contrário do que anunciaram, não vimos equipas de auxílio técnico nenhumas nem antes nem durante o passeio. Vimos sim pessoas em bicicletas para assistência médica. Quem não encontrou bicicleta funcional lixou-se, e quem encontrou defeitos ou teve avarias na sua teve que se desenrascar sozinho, sem ferramentas nem nada. Se todos pagaram o mesmo e se chegaram lá até à hora estipulada, todos teriam direito a uma bicicleta em condições, ou assistência para rectificar as faltas e corrigir os problemas. Isso não aconteceu. Com patrocinadores de tão alto gabarito esperava-se mais.

A mochila que eles ofereceram também era uma chinesice qualquer. A minha tinha defeitos (faltavam presilhas), a do Bruno partiu-se quando ele puxou uma presilha.

Tirei meia-dúzia de fotos (ver aqui) e uns videos (brevemente disponíveis aqui). O Bruno lembrou-se e levou de casa uns papéis de “activismo político” que colocou no lugar das bandeirinhas dos patrocinadores. 😉

Alerta pol�tico

Acho que ninguém reparou, além de um casal que se aproximou pra ler a nos apoiou. A maior parte das pessoas ali nem em lazer costuma andar de bicicleta, concerteza, pois nem sabem circular como deve ser…
O passeio em si não foi o que eu esperava. O piso era fixe e a dificuldade do percurso foi canja (fiquei abismada quando vi pessoas na TV a queixarem-se que aquilo tinha sido “puxado”, além de ouvir os lamentos de terceiros ao longo do passeio, e pessoas a levar a bicicleta pela mão, diz muito acerca da forma física dos portugueses…). Mas a vista da ponte não era nada de especial, é mais bonita a do lado Sul do rio, a do lado Norte é feia. Então a parte já em terra, em que andámos ali às voltinhas até chegar ao Parque das Nações foi a pior. Paisagem seca, árida, cheia de lixo, prédios feios, alcatrão.

Depois chegamos ao Parque das Nações, outrora um espaço privilegiado de Lisboa, agora cada vez mais abandonado e progressivamente menos pedonal, menos silencioso, respirável e espaçoso, visto abrirem mais vias ao trânsito a cada dia. Daqui a nada é mais outro espaço típico de Lisboa, em que só se ouve, respira e vê carros por todo o lado, a circular e estacionados selvaticamente por todo o lado. No entanto, não se vêm autocarros nem outro transporte público a circular pelas vias agora abertas ao trânsito automóvel… Um eléctrico/metro de superfície (“tram”) era fixe…

Smart estacionado

[Fixe com um Smart. 🙂 ]

Carro estacionado

[Doesn’t quite work for this one, tough. E bimbos destes há praí aos pontapés…]

Este evento deveria ter sido aberto a mais gente, e para cada um levar a sua bicicleta própria. E devia ter começado do outro lado da ponte, para a podermos (todos) percorrer integralmente. Devia ser manifestação de uma preocupação e de uma tendência mais séria na direcção da promoção da bicicleta como meio de transporte privilegiado e instrumento de lazer universal. Mas não, foi apenas areia para os olhos, umas migalhas. O facto de Lisboa não aparecer na lista das cidades europeias que participam na Semana Europeia da Mobilidade e/ou no Dia Europeu Sem Carros confirma o desinteresse (embora baste tentar circular por Lisboa de outra forma que não dentro de um automóvel, nomeadamente a pé, de bicicleta ou com uma cadeira de rodas/carrinho de bebé/outro-qualquer-extra-com-rodas para sentir na pele a negligência).

Oeiras volta a participar em 2006. O programa tem algumas coisas “palpáveis” interessantes. Para além de podermos passear pela Marginal Sem Carros no dia 17 de manhã (não quero faltar!!), há umas iniciativas interessantes com a CP relativamente ao transporte das bicicletas nos comboios e à eliminição de barreiras arquitectónicas. Espreitem o programa aqui.

Também o GEOTA e a FPCUB organizam passeios neste dia.

P.S.: No Parque das Nações reparámos numa espécie de quiosque de internet… O Raspanêt, permite navegar na rua.

Quiosque Raspanêt - frente

Só achámos estranho não estar nada identificado nem bem assinalado para a função que desempenha, e o facto de não funcionar com moedas. Temos que ir comprar um papel com o código de acesso a um sítio que não pareceu estar indicado em lado nenhum… A nós pareceu-nos uma cena um bocado imbecil… Já estou a imaginar a utilidade que aquilo tem para os turistas (sim, porque um não-turista não vai para o meio da rua, sujeito ao clima e sem se poder sentar, ver os mails ou conversar no messenger…) … Enfim.

June 27, 2006

Segway

Posted in mobilidade, política nacional, produtos at 8:57 pm by Ana

É uma invenção espectacular! 🙂

Segway

Os Segway são, no entanto, ainda muito caros.

São eléctricos, e consomem menos energia do que outro qualquer veículo eléctrico visto serem menos volumosos. É como andar a pé, mas mais depressa. E sem a parte do andar. Convida ainda mais à imobilidade porque assim podemos literalmente sair de casa já “montados no carro”, e levá-lo efectivamente para a mesa de trabalho, por exemplo… Para ser usado em serviço, durante muito tempo, presumo que se torne desconfortável, porque implica ficar na mesma posição, de pé, por muito tempo.

É o ideal para pessoas com dificuldades de locomoção (desde que se consigam aguentar bem de pé). Mas é uma alternativa muito interessante de transporte individual que gostaria de ver mais disseminada (desde que se devesse principalmente à conversão de automobilistas!). 🙂

No video promocional as pessoas levam-nos para todo o lado, montados neles, mesmo dentro de edifícios, lojas, etc, e comboios e metros. Cá nem as bicicletas estão “liberalizadas” para serem transportadas (let alon riden!) nos transportes públicos e respectivas estações/zonas de acesso. E os regulamentos são omissos ou restritivos no uso de patins (calçados mesmo!). Assim, aquela ideia veiculada não se aplica a Portugal. Por enquanto. 😉

Pelos vistos a moda dos Segway está a pegar por cá. E justamente por quem tem dinheiro para gastar. Nomeadamente as autarquias, claro. Vi primeiro a notícia da Polícia Municipal de Matosinhos, no DN. Depois vi que em Oeiras já tinham feito uma experiência antes, também.

O uso pelos carteiros parece-me um bom investimento. É mais barato (no consumo de combustível) do que uma mota (mesmo que eléctrica) e mais prático. Já o seu uso generalizado pela polícia me parece uma má gestão de dinheiros públicos. Com 5 000 € equipavam uns 10 polícias com bicicletas. Mesmo que optassem por bicicletas com ajuda de um motor eléctrico, era um investimento mais inteligente. Mais saudável e confortável para as pessoas (fazem algum exercício físico e podem sentar-se!), mais barato na aquisição e na manutenção, e mais fiável (não acaba a bateria, e mesmo numa eléctrica, os pedais continuam a trabalhar mesmo depois de acabada a electricidade!). Se fôssemos um país rico ainda percebia que não se quisesse ou tivesse que levar estas coisas em conta. Mas somos um país pobre. Nem tanto de dinheiro, mas de talento, o que resulta em desperdício do que temos e, logo, de menos dinheiro no saldo final.

É um bocado frustrante ver as zonas turísticas balneares patrulhadas com o último grito na mobilidade e depois ver as pessoas sem ter onde se sentar ou abrigar do clima na maioria das paragens de autocarros. Ou ver pessoas sentadas nas valetas das estradas ou em encostadas a rails porque ninguém se digna a investir o dinheiro de todos onde ele faz mais falta.

Paragem má (mas há bem piores)

Ou ver pessoas andar nas bermas e valetas das estradas para ir de uma localidade a outra ou até de uma rua à seguinte, sem ter condições de conforto e muito menos de segurança, porque neste país os passeios existem para emoldurar alguns sítios, e as pessoas são esperadas mover-se de carro numa base porta-a-porta…

Em Queluz

O nosso problema não é falta de dinheiro, é falta de governantes que saibam distinguir o essencial do acessório, e saibam estabelecer prioridades de investimento de uma forma estratégica, honesta, justa.

Este desabafo não é contra o Segway, nem contra os veículos eléctricos, é com as pessoas que gerem este país que também é o meu.

June 7, 2006

CicloProtesto

Posted in ciência, notícias, política nacional at 10:10 am by Ana

Na sequência do post de 30 de Maio, deixo aqui o link para o site onde é possível acompanhar a viagem-protesto do bolseiro de investigação científica João Freire: CicloProtesto (obrigada David ;-)).

May 30, 2006

Viagem de protesto em bicicleta

Posted in ciência, política nacional, sociedade at 5:03 pm by Ana

O David contou-me esta história:

«O João Freire, bolseiro na Estação Florestal Nacional, um dos bolseiros do INIAP que não tem recebido bolsa, vai realizar um protesto sobre rodas: irá partir da próxima 2ª de manhã do Porto e fazer-se ao caminho, de bicicleta, até Lisboa, prevendo chegar a Lisboa, frente ao Ministério da Agricultura, na 6ª feira. Para assinalar o seu protesto levará escrito "bolseiro em férias com 3 bolsas em atraso e 4200 euros em dívida".»

Para saber do que se trata, ver o fórum da ABIC (Associação de Bolseiros de Investigação Científica), aqui.

May 29, 2006

“Licença para parir”

Posted in imprensa, mulheres, política nacional, sociedade at 3:29 pm by Ana

Também no Expresso deste sábado, parte da crónica do Daniel Oliveira. Acerca da Lei da Reprodução Medicamente Assistida:

A propósito da Lei da Reprodução Medicamente Assistida

May 25, 2006

“Incentivos pouco verdes”

Posted in eco-techie-habitat, política nacional at 10:35 pm by Ana

Saiu na revista Dinheiro & Direitos n.º 75 (Maio/Junho) um artigo sobre impostos e energias renováveis:

"Incentivos pouco verdes" (2)